A evolução das tecnologias de reconhecimento facial
- Cyber Leviathan

- 10 de mar. de 2021
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As pesquisadoras Inioluwa Deborah Raji e Genevieve Fried disponibilizaram recentemente, via plataforma arXiv.org, da Cornell University/EUA, o artigo “About Face: A Survey of Facial Recognition Evaluation” (em livre tradução, “Sobre o rosto: uma pesquisa de avaliação do reconhecimento facial” [1], por meio do qual esquadrinham a evolução dessa tecnologia ao longo dos últimos quarenta e três anos, que foram por elas divididos em quatro períodos: 1964 a 1995, 1996 a 2006, 2007 a 2013, 2014 em diante.
O estudo demandou a análise de aproximadamente 145 milhões de imagens, de mais de 17 milhões de pessoas, obtidas em cerca de 100 bancos de dados de rostos construídos entre os anos de 1976 a 2019.

As autoras pontuam que, na origem, a implantação do reconhecimento facial se propunha a auxiliar na identificação de suspeitos, o que não se revelou exitoso em razão de limitações operacionais e da ausência de um número adequado de amostras. A partir de meados da década de 1990, em razão de expressivo investimento realizado pelo Departamento de Defesa Norte-Americano e pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, acentuou-se o interesse acadêmico, comercial e governamental sobre o assunto. Quando as amostras, inicialmente obtidas por meio de sessões fotográficas, não se revelaram suficientes para alimentar os sistemas, estas passaram a ser colhidas ilegalmente, através de motores de busca, redes sociais, vídeos e de imagens captadas via câmeras de segurança instaladas em locais públicos, sem prévio conhecimento e autorização dos respectivos titulares.
O estudo também enfatiza a disparidade entre as realidades acadêmica e prática, no que diz respeito ao real desempenho das tecnologias de reconhecimento facial – apesar das sólidas evidências práticas de que tais sistemas encerram falhas cruciais, a comunidade científica continua a relatar resultados bem-sucedidos em suas análises e prognósticos.
[1] Disponível em: <https://arxiv.org/abs/2102.00813>. Acesso em: 18 fev. 2021.
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